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O que você sabe sobre o mau hálito?
Prof. Sérgio C. Weyne
02.02.2006
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A preocupação das pessoas com os odores do corpo é uma das características da natureza humana. A imensa quantidade de dinheiro gasto com desodorantes, cremes dentais e bochechos bucais confirmam o que foi dito. Nos Estados Unidos, em 1999, foram gastos 1 bilhão de dólares apenas com soluções para bochechos.
O mau hálito, tecnicamente conhecido como halitose, pode ser definido como o odor desagradável que pode sair da boca ou do nariz das pessoas. É um problema humano íntimo, geralmente constrangedor, com um grande impacto social e psicológico. Afeta de maneira crônica uma imensa quantidade de pessoas em todo o mundo, ocorrendo principalmente em adultos (independentemente de raça, nacionalidade ou nível socioeconômico).
De onde vem o mau hálito?
Ao contrário do que dizem as crenças populares, o mau hálito não é uma condição gastrintestinal. Pesquisas realizadas com milhares de pessoas confirmam que, em aproximadamente, 90% dos casos, a halitose se origina na boca. Ela é causada por bactérias que se acumulam na parte superior da língua, formando o que se conhece como “saburra” (depósito branco-amarelado) e atacando os restos de alimentos e células mortas da própria boca, o que dá origem a gases com odor desagradável. Em apenas cerca de 10% dos casos, o mau hálito é conseqüência de doenças médicas. As bebidas alcoólicas, o fumo ou a ingestão de certos alimentos com o gosto muito ativo, como cebola ou alho, podem dar origem a um hálito característico e “forte”, que pode ser facilmente evitado pela não-ingestão dos alimentos incriminados ou pela moderação do uso de bebidas e do fumo. Como podemos saber se temos mau hálito?Muitas pessoas apresentam mau hálito, mas não sabem que sofrem do problema. A experiência clínica mostra que a existência da halitose geralmente não é descoberta pela própria pessoa, embora seja muito fácil descobrir o mau hálito dos outros. A nossa virtual incapacidade de avaliar o próprio hálito decorre da existência de um processo natural de adaptação que faz com que seja muito reduzida ou até mesmo anulada a capacidade de percepção de um determinado odor, se estamos continuamente expostos a ele, como é o caso do mau hálito. Esse fenômeno, conhecido tecnicamente como “fadiga olfativa”, explica também por que algumas pessoas não se dão conta de que estão com forte odor de suor, ou ao contrário, usam crescentes quantidades de um certo perfume, a ponto de incomodar os que com ela convivem (todos conhecemos pessoas que “tomam banho de perfume”). A relutância de familiares e amigos em revelar que estão sentindo mau hálito em alguém, com medo de magoar essa pessoa, pode explicar por que muitos padecem dessa condição, ao longo da vida , sem sequer desconfiar da existência dela.
Não se conhece nenhum teste ideal para avaliar objetivamente o grau de mau hálito e, por isso, o nariz humano ainda é o principal “instrumento” disponível. Existem alguns instrumentos que foram desenvolvidos para aferir esse nível, porém os resultados ainda não ganharam a confiança dos pesquisadores.
Tratamento do mau hálito
O tratamento do mau hálito para os que não apresentam doenças médicas que possam ser relacionadas com o quadro (a grande maioria das pessoas) é baseado no conhecimento de que os gases com odor desagradável formados na boca são decorrentes do crescimento exagerado e da ação de certas bactérias que vivem na “saburra” da língua, sobre os resíduos alimentares e células mortas aí acumuladas. O objetivo do tratamento é, portanto, fazer a limpeza mecânica da língua, removendo, regularmente, a “saburra” e impedindo sua reformação. Essa limpeza pode ser conseguida pelo uso de “limpadores de língua” de plástico, que são apropriados para isso (podem ser indicados pelos dentistas) ou mesmo pela escovação da língua. As pesquisas confirmam que a limpeza da língua é crítica para a redução do mau hálito. A redução da produção de saliva pelo uso de certos remédios ou como conseqüência de determinadas doenças gerais pode agravar o quadro, devendo ser investigada e controlada. O uso de bochechos com sais de zinco, cetilpiridíneo, clorexidina ou uma mistura de óleos essenciais parece ser capaz de ajudar o controle dos casos.
Medidas que podem ajudar a evitar o mau hálito
• Faça uma higiene oral cuidadosa e completa, escovando os dentes, usando o fio dental e limpando a língua;
• Beba, pelo menos, 1,5 litro de líquido por dia;
• Coma vegetais frescos e fibrosos diariamente;
• Não fume e não se exceda nas bebidas gasosas;
• Lave a boca após o consumo de derivados do leite, peixes e carnes;
• Faça uso de goma de mascar dietética durante cinco a dez minutos, após refeições, ou quando sentir a boca seca.
Prof. Sérgio C. Weyne é Consultor científico da Amil; Doutor em Odontologia - UFRJ; Professor de Microbiologia ,Instituto Biomédico -UFF (aposentado); Coordenador e Professor de Odontologia Coletiva I -UNESA; Coordenador Nacional de Saúde Bucal do Ministério da Saúde - 1990; Membro Titular da Academia Brasileira de Odontologia.
 
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