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Doença de Alzheimer
José Campos Filho
Geriatria
27.02.2007

A doença de Alzheimer é uma doença degenerativa do sistema nervoso central, sendo o tipo de demência mais freqüente nos pacientes com esse diagnóstico. Nas fases iniciais, afeta a memória, geralmente para fatos recentes, e também outras áreas, como a linguagem, a capacidade de executar tarefas e o raciocínio. Apresenta evolução lenta e progressiva, em geral de vários anos, podendo, em fases mais avançadas, existir total dependência para a realização de atividades como alimentar-se, vestir-se, cuidar da higiene pessoal ou mesmo andar.

A doença não é causada por falta de oxigênio no cérebro nem pela “esclerose” dos vasos sangüíneos. A causa ainda é desconhecida, mas sabe-se que acomete principalmente os idosos, com alterações no cérebro que provocam a morte de neurônios (células cerebrais) e originam disfunção de importante parcela dos neurônios remanescentes.

Muitas vezes pacientes e familiares acabam associando perdas nas capacidades prévias com alterações próprias do processo de envelhecimento, o que, de maneira geral, não é verdade. Os indivíduos comprometidos geralmente desenvolvem sintomas lentos e progressivos, como:

• Dificuldade para lembrar-se de fatos recentes, mas mantendo intactos fatos ocorridos no passado;
• Prejuízo na capacidade de raciocínio, concentração e cálculo, como, por exemplo, dificuldade de controlar as finanças;
• Incapacidade para a realização de variadas tarefas rotineiras, que anteriormente fazia sem grandes dificuldades;
• A tendência a guardar objetos em locais errados e inapropriados e depois não se lembrar onde os deixou;
• Desorientação em relação a datas e localização;
• Deixa de reconhecer pessoas próximas e/ou encontra dificuldade com nomes;
• Apresenta alterações de humor e de comportamento.

O diagnóstico é feito com base no relato que o paciente e a família trazem ao médico sobre os sintomas que o idoso vem apresentando e a avaliação médica em si. Essa avaliação consiste em fazer história médica detalhada, exame físico, testes neuropsicológicos específicos e requisição de alguns exames laboratoriais e de imagem (tomografia de crânio ou ressonância magnética de crânio), para exclusão de outras causas de demência. O diagnóstico de certeza só é possível por meio da análise do tecido cerebral do paciente. No entanto, com base nas informações anteriores, o médico estará apto a fazer o diagnóstico de provável doença de Alzheimer.

Atualmente, existe tratamento específico com o auxílio de drogas cujo objetivo é retardar ou estabilizar a progressão da doença, além de medicações que podem levar à melhora das alterações de comportamento e do humor. Mas além do tratamento farmacológico, é fundamental manter o paciente ativo e independente para o maior número de tarefas possíveis em seu cotidiano, o que, conseqüentemente, gera uma melhor qualidade de vida.

A doença de Alzheimer é uma condição bastante freqüente nas faixas etárias mais avançadas, comprometendo cerca da metade dos pacientes entre 85 e 90 anos, mas que pode ter seus efeitos catastróficos amenizados ou postergados com o diagnóstico apurado e precoce e conseqüente abordagem adequada pela equipe de saúde, familiares e cuidadores.

A doença de Alzheimer é uma condição bastante freqüente nas faixas etárias mais avançadas – comprometendo cerca da metade dos pacientes na faixa etária de 85 a 90 anos, mas que pode ter seus efeitos catastróficos amenizados ou postergados com o diagnóstico apurado e precoce e conseqüente abordagem adequada pela equipe de saúde, familiares e cuidadores.



José Campos Filho é geriatra do Totalcare







08/09/2008 06:36:20