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Cardiopatia e Gravidez
Alexandre Roberto Pinto
Cardiologia
03.04.2007
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A mortalidade materna no Brasil encontra-se em níveis semelhantes aos dos países carentes da América Latina, refletindo uma inadequada qualidade de assistência da saúde prestada à mulher durante as fases gestacional e pós-gestacional. Esse fato pode ser devido a causas obstétricas, ou seja, de alterações propriamente ditas da gestação, ou de anormalidades indiretamente relacionadas à gestação, quando decorrem de doenças orgânicas de base. Entre as causas indiretas, destacam-se as cardiopatias, responsáveis por cerca de 10% da mortalidade materna.
Entre as doenças cardíacas de risco para a gestação, são relevantes as doenças das válvulas, as cardiopatias congênitas, a doença de Chagas, as arritmias cardíacas, as doenças do miocárdio, a doença arterial coronariana e a hipertensão arterial pulmonar.
No Brasil, as doenças valvares têm uma incidência ao redor de 50% das cardiopatias do período gestacional, sendo a sua causa principal a doença reumática. Por outro lado, nos países desenvolvidos, a principal causa de valvopatias é congênita, já que a doença reumática encontra-se erradicada.
As anormalidades congênitas mais freqüentes são as comunicações existentes entre as câmaras cardíacas, principalmente envolvendo os átrios e os ventrículos. De forma geral, as doenças valvares cursam com má evolução quando evoluem com sobrecarga do músculo cardíaco ou do território arterial pulmonar, quando estão associadas a arritmias e também quando há infecção da válvula com algum grau de disfunção. É esperada, na maioria dos casos, boa evolução das pacientes gestantes portadoras de prolapso de valva mitral.
As arritmias cardíacas são eventos comuns na gravidez e, quando ocorrem em um coração estruturalmente normal, costumam ser bem toleradas e raramente necessitam de tratamento medicamentoso.
A doença do miocárdio, ocorrida principalmente no último trimestre da gestação e no período após o parto, é de rara incidência e, ultimamente, com diagnóstico e tratamento precoces, tem apresentado evolução mais satisfatória.
A doença arterial coronariana tem incidência extremamente rara na idade reprodutiva e pode estar relacionada a fatores específicos, como histórico familiar de doença arterial coronariana, diabetes melito e tabagismo, entre outros.
As complicações das cardiopatias poderiam ser evitadas por meio de assistência pré-natal especializada e de planejamento familiar adequado, proporcionando-se à paciente o direito à informação necessária para a sua livre escolha de ter ou não filhos.
Alexandre Roberto Pinto Cardiologista do Total Care (SP) e Hospital Paulistano
 
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