Rio de Janeiro tem índice de poluição duas vezes maior do que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde

Doenças causadas pela má qualidade do ar já matam mais do que acidentes de trânsito e câncer de mama no estado do Rio

Rio de Janeiro/RJ (outubro de 2014)No dia 29 de outubro, o Instituto Saúde e Sustentabilidade (ISS) apresentou pesquisa inédita sobre a poluição atmosférica no estado do Rio de Janeiro, em evento realizado na Amil, na Barra da Tijuca, para especialistas em saúde e em meio ambiente. O estudo concluiu que os índices do estado ultrapassam em duas vezes o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o que contrasta com a metodologia adotada no Brasil pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que considera aceitáveis os padrões de poluição aos quais o cidadão fluminense está exposto.

A pesquisa Avaliação do Impacto da Poluição Atmosférica no Estado do Rio de Janeiro sob a Visão da Saúde – que apontou os dados ambientais de poluição, a estimativa do impacto na saúde pública e sua valoração em gastos públicos, durante o período de 2006 a 2012 – foi lançada durante o debate Emergência em Saúde Pública: o Ar que Respiramos, mediado pelo jornalista André Trigueiro, com a participação de Paulo Saldiva, professor titular da Faculdade de Medicina da USP, e de Evangelina Vormittag, diretora-presidente do ISS.

O estudo

O estudo aponta 36.194 mortes e 65.102 internações na rede pública de saúde devido à poluição, sendo 14 mortes por dia em todo o estado – representando um gasto público de R$ 82 milhões. “Esses números poderiam ter sido evitados se o controle dos níveis de poluição não ficasse limitado aos índices observados no estado, mas, sim, aos indicados pela OMS, que mostram que a qualidade do ar tem se mantido em patamares críticos”, explica a Dra. Evangelina Vormittag, diretora-presidente do ISS.

As cidades de Duque de Caxias, Itaboraí, Nova Iguaçu, Macuco, Resende e Porto Real figuram entre as mais poluídas. Já aquelas com maior risco de morte são: Macuco, Duque de Caxias, Itaboraí, Barra Mansa e a capital, por apresentarem fatores populacionais, como maior número de crianças e idosos, mais sensíveis aos efeitos da poluição. Em 2011, o número de mortes atribuídas à poluição no estado do Rio foi cerca de uma vez e meia maior que os óbitos por acidentes de trânsito (3.044), quase três vezes maior que as mortes por câncer de mama (1.905) ou decorrentes da AIDS (1.792) e quase sete vezes maior que falecimentos por câncer de próstata (712).

Em todo o Rio de Janeiro, o nível de poluição por material particulado 2,5 (MP2,5), um dos poluentes mais relevantes do ponto de vista da saúde, está elevado para todos os anos avaliados. A região metropolitana apresenta os maiores níveis, até mesmo acima da média do estado. A diretora de Sustentabilidade da Amil, Odete Freitas, reforça que o desenvolvimento de doenças em razão da exposição à poluição requer atenção dos setores público e privado de saúde. “Doenças como câncer de pulmão, infecções das vias aéreas superiores e pneumonia foram apontadas pelo estudo como responsáveis por grande parte das mortes decorrentes da poluição atmosférica. Essa é uma realidade que exige ação das empresas e das instituições responsáveis por cuidar da saúde da população e demanda políticas de saúde efetivas por parte dos órgãos reguladores”, destaca Freitas.

A avaliação compara os níveis de MP2,5 do Rio de Janeiro com o padrão recomendado pela OMS, que é o limite aceitável para o mínimo efeito nocivo à saúde humana, em substituição aos padrões nacionais estabelecidos pela Resolução Conama nº 03/1990 (tabela abaixo).

Metodologia

O estudo é desenvolvido em três etapas: cálculos ambientais, epidemiológicos e econométricos. São empregadas diferentes ferramentas metodológicas para a análise da poluição atmosférica no estado do Rio de Janeiro, seus efeitos sobre a saúde e gastos decorrentes desses efeitos a partir da utilização dos padrões de poluição adotados pela Organização Mundial da Saúde, em vez dos padrões da Resolução Conama Nº 03/1990.

Sobre o Instituto Saúde e Sustentabilidade:

É uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), idealizada em 2008 pela médica Evangelina da Motta P. A. de Araujo Vormittag. Tem como objetivo propiciar a melhoria da saúde humana e o viver nas grandes cidades por meio da transformação do conhecimento científico em informação clara e acessível, do incentivo à mobilização social e da construção de políticas públicas. O instituto tem sede em São Paulo e conta com o apoio de 65 fundadores, entre médicos e profissionais de diversas áreas.

Sobre a Amil:

A Amil oferece uma ampla variedade de planos de assistência médico-hospitalar e odontológica, proporcionando aos seus beneficiários o acesso a serviços de alta qualidade. Hoje, é a maior empresa de saúde suplementar do Brasil – de acordo com a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) –, com mais de 6,6 milhões de beneficiários. A companhia também possui a maior rede credenciada do país, abrangendo cerca de 2 mil hospitais, mais de 27 mil consultórios e clínicas médicas e 7,7 mil laboratórios e centros de diagnóstico por imagem. Em outubro de 2012, a Amil passou a integrar o UnitedHealth Group, um dos maiores e mais importantes grupos de saúde do mundo. Para mais informações, acesse www.amil.com.br.