Por que nunca abandonar o dentista?

Doenças odontológicas podem surgir em todas as fases da vida, afirma especialista. Com manutenção e cuidados adequados, é possível chegar à terceira idade sem perda de dentes.

Rio de Janeiro, RJ (9 de julho de 2014) – Se você é do tipo que só procura o dentista quando tem algum problema, saiba que as doenças bucais também precisam de prevenção, não só de tratamento. Segundo a cirurgiã-dentista Claudia Fugita, da Amil Dental, o dentista deve estar presente durante toda a vida, desde o nascimento até a velhice, ajudando a evitar o surgimento de doenças graves e a perda dos dentes.

Entenda como os hábitos preventivos adotados em cada fase da vida podem interferir positivamente na saúde da boca:

Primeira Infância:

Os primeiros dentes começam a nascer, em média, aos seis meses, mas os cuidados com a gengiva do bebê já devem começar antes. A higienização bucal com fralda ou gaze umedecida em água filtrada deve ser feita sempre após a mamada, evitando-se a formação de placa. Após o nascimento do segundo dentinho, os pais já podem começar a utilizar uma escova especial, porém sem pasta de dente – que só deve ser introduzida, sem flúor, após o bebê completar um ano. Já a chupeta só deve ser utilizada, preferencialmente, até os três anos – idade em que a arcada dentária se ajusta espontaneamente. Após essa fase, o uso continuado da chupeta pode acarretar abalamento do palato e abertura dos dentes frontais. A consulta com um odontopediatra, para ensinar a maneira correta de higienização, deve ser feita a partir do nascimento do primeiro dente.

Infância:

Quando os filhos chegam à infância, uma das principais preocupações dos pais é cortar o açúcar. Mas, para os dentes, o maior problema não é a quantidade de açúcar, mas, sim, a frequência com que ele é consumido, afirma Claudia Fugita. “O açúcar deve ser ingerido, de preferência, após as refeições, quando a criança tende a escovar os dentes imediatamente. Também não é recomendado ingerir doces em um intervalo menor do que três horas. Além disso, deve-se consumir bastante água, para estimular a geração de saliva.”

Apesar de a dentição de leite estar completa a partir dos dois anos, os pais só devem introduzir a pasta de dente com flúor após os cinco. “Isso porque, a partir dessa idade, a criança já tem coordenação motora para cuspir toda a saliva e também porque a ingestão de flúor em excesso pode causar manchas nos dentes”, explica a dentista, ressaltando que, nessa fase, a consulta com um odontopediatra é importante para estimular a criança a criar uma rotina de prevenção.

Pré-adolescência:

É nessa fase que termina a queda dos dentes de leite – processo este, em geral, iniciado aos seis anos. A segunda dentição, sem contar os sisos – que costumam nascer depois –, completa-se por volta dos 13 anos. Mas há vezes em que os dentes permanentes começam a nascer paralelamente aos de leite, antes de estes caírem. Nesses casos, um dentista deve ser procurado para que seja feita a extração do primeiro dente.

Adolescência:

É na adolescência, até os 18 anos, que costumam chegar os sisos. Mas nem todas as pessoas dessa geração terão esse dente, alerta Fugita. “A tendência é que ele desapareça, devido à evolução da nossa espécie. Com o passar do tempo, fomos comendo alimentos mais moles, que exigem menos força dos dentes. Com isso, o chamado ‘dente do juízo’ tornou-se desnecessário e está entrando em extinção”. Nesta fase, é recomendável procurar o odontologista, que pode dar orientação sobre quais casos em que a extração é necessária.

O uso de aparelho ortodôntico também deve ser iniciado, preferencialmente, na adolescência, quando a movimentação dos dentes é mais fácil. “Por ser uma fase de formação estrutural, o osso é mais movimentável e o resultado desejado é mais fácil de ser obtido. Mas nada impede que pessoas de qualquer faixa etária, até idosos, utilizem aparelho. Em alguns casos, inclusive, é necessário”, explica a dentista.

Idade adulta:

Muitos problemas odontológicos tendem a se agravar na idade adulta, resultantes da continuidade de maus hábitos ao longo do tempo. Nessa fase, são comuns doenças como periodontite (acúmulo de tártaro) e gengivite (excesso de placa bacteriana), que podem levar à perda de dentes – também ocasionada por outros fatores externos. “A nicotina, por exemplo, estimula a retenção de placa bacteriana. E hábitos como roer unha, morder caneta e abrir embalagens e garrafas com a boca podem causar microtrincas nos dentes, levando à quebra futura”, explica Claudia Fugita.

O estresse, mal comum nessa fase da vida, também leva muitas pessoas a desenvolver bruxismo, distúrbio do sono caracterizado pelo apertar e ranger dos dentes de forma involuntária. Se não for acompanhado pelo dentista, o bruxismo pode levar à quebra dos dentes.

Mais grave, o câncer bucal é outra preocupação que, em geral, acomete os adultos. Hoje, é uma das principais doenças que afetam a boca, com cerca de 15 mil novos casos por ano no Brasil. “Qualquer ferida ou sangramento que não desapareça em 15 dias é um sinal de alerta. Nesses casos, o dentista deve ser procurado, pois lesões negligenciadas podem evoluir para câncer”, alerta a odontologista.

Gravidez:

No caso das mulheres adultas, a alteração hormonal durante a gravidez pode deixar a boca mais propensa ao acúmulo de placa bacteriana, provocando inchaço e sangramento na gengiva – a chamada gengivite gravídica. Mas é preciso desmistificar algumas informações, alerta Claudia Fugita. “Há o mito de que, durante a gravidez, a perda de nutrientes leva à fragilidade dos dentes, mas isso não procede. Caso necessite de cálcio extra, o corpo humano pega da reserva dos ossos, não dos dentes. Também existe o mito de que a mulher grávida não pode ir ao dentista. Muito pelo contrário, elas devem fazer o acompanhamento com o dentista durante toda a gestação, assim como fazem o pré-natal, pois doenças periodontais podem provocar, inclusive, parto prematuro, devido à liberação de toxinas. Tratamentos em andamento também podem ser continuados, até mesmo com uso de anestesia, conforme cada caso”.

Terceira idade:

Com acompanhamento odontológico devido, é possível que não ocorra a perda espontânea ou a necessidade de extração de dentes até o fim da vida. “Com o envelhecimento, os dentes passam a ter menos vascularização e, assim como os ossos, são mais propensos à quebra. Mas, em geral, é a falta de manutenção por muito tempo que culmina na perda. Com o acompanhamento odontológico constante, a tendência é que as pessoas percam cada vez menos dentes ou até mesmo nenhum deles”, explica a dentista.

Se houver perda de dentes, uma boa opção hoje em dia é o implante. O que não significa que as visitas ao dentista devam ser abandonadas, alerta Fugita. “A placa bacteriana também pode se formar ao redor da prótese implantada. A ausência de dor, porém, não é sinal de que tudo esteja bem. Muitas vezes, por não haver raiz vital, a dor não aparece, mas o problema está ali. Dentaduras mal adaptadas também podem causar feridas que, se não tratadas, correm o risco de evoluir para câncer. Por isso, nessa fase, a manutenção e o acompanhamento feitos pelo dentista são necessários, até de forma redobrada”, esclarece.