Avanços da medicina nas últimas décadas melhoraram a qualidade de vida dos portadores do HIV

No Paraná, 1.632 novos casos de Aids foram registrados em 2015

Os primeiros registros de Aids no Brasil surgiram na década de 1980. Oito anos depois, o país incorporava no calendário oficial da saúde o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, celebrado em 1º de dezembro. Criada pela Assembleia Mundial da Saúde, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), a data visa reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão em relação às pessoas infectadas pelo HIV. Em 2015, os novos casos da doença no Brasil chegaram a 44 mil, frente a 2,1 milhões em todo o mundo, de acordo com a ONU. No Paraná, foram 1.632 novos registros no último ano, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa).

O infectologista Clóvis Arns da Cunha, credenciado à Amil no Paraná, explica que a Aids (sigla em inglês para síndrome da imunodeficiência adquirida) é uma doença causada pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), que acomete o sistema imunológico, diminuindo as defesas do organismo. Ele é transmitido principalmente pelo ato sexual e pelo sangue, por meio do compartilhamento de seringas por via endovenosa. Porém, ainda existem outras formas menos frequentes de contágio: “O risco estimado de contaminação pelo HIV através de transfusão de sangue é de uma em 300 mil transfusões. A amamentação e a placenta da gestante também podem transmitir o vírus. O contágio através de alicates de unha passou a ser evitado desde que a vigilância sanitária tornou obrigatório o uso de material esterilizado”, aponta o médico.

O infectologista informa que o sexo oral sem preservativo também pode transmitir o vírus HIV, embora esse risco seja pequeno. “O risco maior ainda é na relação pênis-ânus, seguido pela relação pênis-vagina. Mas é importante ressaltar que o sexo oral é também uma fonte de transmissão de outras doenças, como a sífilis – infecção bacteriana que tem registrado um aumento expressivo nos últimos anos”, alerta.

O médico acrescenta que a principal forma de prevenção no caso da transmissão sexual continua sendo o uso da camisinha, tanto entre os homossexuais quanto entre os heterossexuais. E que, quanto maior o número de parceiros sem preservativo, maior o risco de ser infectado. Quanto ao diagnóstico, o período entre o contágio e a positivação do exame laboratorial – chamado de janela imunológica – pode levar de 2 a 12 semanas, dependendo do método adotado.

Atualmente, o tratamento contra a doença é feito pela combinação de três medicamentos de via oral, com boas perspectivas para os pacientes – evolução que Arns considera um sucesso sem precedentes na história clínica. “A medicina conseguiu transformar uma doença que tinha praticamente 100% de mortalidade numa infecção crônica que, com a correta adesão ao tratamento, dá ao paciente a perspectiva de viver tanto e tão bem, como se não tivesse o vírus. Tenho pacientes atletas, por exemplo, que conseguem manter sua performance mesmo sendo portadores. Ter bons hábitos de vida, como não fumar, não usar drogas ilícitas, ser moderado no consumo de álcool, dormir bem e praticar atividade física completam o segredo do sucesso.”