Dia Mundial do Diabetes alerta para a importância do controle da doença

Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado neste ano, mostra que o número de adultos com diabetes quadruplicou em todo o mundo em menos de quatro décadas, chegando a 422 milhões de casos em 2014. Destes, metade vive em apenas cinco países: China, Índia, Estados Unidos, Brasil e Indonésia. Para auxiliar na prevenção e no controle da doença, a Federação Internacional do Diabetes (IDF) criou o Dia Mundial do Diabetes. A data escolhida – 14 de novembro – é uma homenagem ao nascimento do cientista canadense Frederick Banting, um dos responsáveis pela descoberta da insulina, em 1921.

A endocrinologista Fátima Sandmann Afonso, credenciada à Amil em Curitiba, explica que o diabete melito não é uma única doença, mas um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que apresenta em comum a elevação dos níveis de glicose no sangue e defeitos na ação do hormônio insulina. “A maior parte dos casos de diabetes é do tipo 2, quando há defeitos na ação e secreção da insulina e os pacientes costumam apresentar sobrepeso ou obesidade. Já o diabetes tipo 1 resulta da destruição das células betapancreáticas, causando deficiência de insulina”, esclarece.

A médica destaca que, embora o diabetes do tipo 1 seja mais comum na infância e na adolescência, e o tipo 2, após os 40 anos, a doença pode surgir em qualquer fase da vida. Por isso, é preciso ficar atento aos fatores de risco. “No caso do diabetes do tipo 2, alguns deles são a obesidade, a história prévia de diabetes gestacional, a predisposição genética associada ao sedentarismo e a hiperalimentação. Já o diabetes do tipo 1 é um processo autoimune, ainda que alguns casos sejam idiopáticos, ou seja, tenham causa desconhecida”, sinaliza.

Segundo estudo realizado pela Associação Nacional de Diabetes (Anad), cerca de 30% dos portadores ainda não sabem que têm a doença. Isso porque o tipo 2 nem sempre apresenta sintomas. “Já o diabetes do tipo 1 geralmente tem início abrupto, por isso podem ser observados perda de peso rápida, grande volume de urina (poliúria) e sede excessiva (polidipsia)”, explica Fátima.

O diagnóstico é feito por meio de exames laboratoriais e o tratamento engloba a administração de medicamentos específicos para cada caso. “Sempre digo aos pacientes, principalmente os com diabetes do tipo 2, que os cuidados com o controle alimentar e a prática de atividades físicas do portador de diabetes são muito semelhantes àqueles que qualquer indivíduo adulto deve ter. Além disso, recomenda-se utilizar as medicações prescritas corretamente e realizar os exames laboratoriais, cardíacos e oftalmológicos com a periodicidade indicada pelo médico.”

A endocrinologista observa que as doenças cardiovasculares e cerebrovasculares são as principais causas de óbito entre os pacientes diabéticos do tipo 2, mas o bom controle metabólico previne o surgimento ou retarda a progressão de complicações. “Com a evolução dos tratamentos atuais, é possível ter uma vida normal, associando os cuidados a um estilo de vida saudável”, finaliza.