Cobertura de exames para diagnóstico de zika no Brasil será destaque em conferência internacional

Trabalho apresentado por pesquisadora da Amil está entre os dez selecionados para concorrer ao prêmio de melhor pôster do evento

Rio de Janeiro, RJ (setembro de 2016) - Entre os dias 27 e 30 de setembro, médicos, pesquisadores e lideranças da Saúde de todo o mundo se reunirão no principal evento de diretrizes médicas do mundo: o Guideline International Network (G-I-N). Neste ano, a conferência acontece na Philadelphia (EUA) e terá como um dos destaques o pôster sobre a inclusão dos exames para diagnóstico de zika na cobertura obrigatória dos planos de saúde no Brasil. O trabalho será apresentado por Maria Elisa Pazos, pesquisadora da Amil que participou do grupo técnico da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) que definiu as diretrizes para a incorporação dos testes no Rol da agência.

Em junho deste ano, a ANS anunciou, de forma extraordinária, a inclusão do exame PCR (Polymerase Chain Reaction) e dos testes sorológicos IgM e IgG na cobertura dos planos de saúde. Normalmente, a atualização dos procedimentos que os planos devem garantir aos seus clientes acontece a cada dois anos, de modo a acompanhar os avanços da medicina, mas, em casos de epidemia, esse anúncio de itens pontuais pode ser antecipado.

Especialista em medicina baseada em evidências, Pazos mostrará aos participantes do evento o caminho percorrido pelo grupo técnico instaurado pela ANS para chegar às recomendações clínicas e à identificação do grupo de risco que teria direito à cobertura dos exames. O cenário da epidemia de zika em nível mundial e sua relação com malformações congênitas no sistema nervoso central serão o ponto de partida da apresentação.

A médica destaca que um dos grandes desafios da doença ainda é a falta de precisão nos exames atualmente disponíveis. “A sorologia atesta positivo para uma gama de doenças, então não é possível confirmar que o paciente teve contato com o vírus da zika especificamente, pois existe uma reação cruzada com outras infecções, como a dengue e a chicungunha, por exemplo. Já o teste molecular (PCR), apesar de ter alta acurácia, só é efetivo se o material for colhido nos cinco primeiros dias de surgimento dos sintomas, e, em muitos casos, a infecção por zika é assintomática. A ciência ainda precisa desenvolver testes específicos”, explica.

A pesquisadora também sinaliza que a melhor forma de prevenção continua sendo a falta de contato com o mosquito, visto que ainda não há medicamentos disponíveis para tratar os efeitos da zika quando o vírus estiver presente no organismo. “Essa é uma doença que não permite intervenção após instaurada, o que a torna ainda mais grave. O aborto não é permitido no país e não existe medicamento que evite as más-formações neurológicas no bebê. Por isso, a principal recomendação ainda é combater os focos do mosquito e tentar evitar sua picada, aplicando repelente nos intervalos adequados e usando roupas que cubram braços e pernas. Como foi comprovada a presença de vírus no sêmen, também é recomendável o uso de camisinha”, instrui.