Glaucoma não tem cura, mas tem controle

Doença é a segunda principal causa de cegueira no mundo. Especialista ressalta que consultas oftalmológicas periódicas são importantes para diagnosticá-la e evitar o seu avanço

Dia 26 de maio é marcado no calendário da Saúde como o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma. A doença é a segunda principal causa de cegueira no mundo, impactando 4,5 milhões de pessoas – número que deve chegar a 11,2 milhões até 2020, como aponta a Associação Mundial de Glaucoma. No Brasil, estima-se que a enfermidade atinja, atualmente, 1 milhão de pessoas com mais de 40 anos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Glaucoma. Diante dos números crescentes, especialistas fazem um alerta: na maioria dos casos, o glaucoma não apresenta sintomas.

A oftalmologista Michelle Lemos, do TotalCare de Curitiba – unidade da Amil voltada para o diagnóstico, o tratamento e a prevenção de doenças crônicas – explica que o glaucoma é caracterizado pela perda irreversível de fibras do nervo óptico e está relacionado a fatores genéticos: “A principal causa de lesão é o aumento da pressão intraocular, que geralmente não acarreta sintomas. No entanto, quando eles aparecem, podem ir desde dores nos olhos ou na cabeça à redução da visão periférica, culminando na perda visual completa e irreversível.” A especialista aponta que a doença pode ser diagnosticada por meio de avaliação oftalmológica e exames complementares; por isso, a melhor forma de prevenção é a realização de consultas periódicas com um oftalmologista.

Sabe-se que a incidência do glaucoma aumenta com a idade. Mas doenças como o diabetes, o uso de medicamentos como corticoides e traumas e inflamações oculares também podem aumentar a pressão intraocular, afirma Michelle. “Além desses fatores, bebês podem nascer com glaucoma, embora sejam casos raros. E a doença também pode surgir durante a infância e a adolescência, caracterizando o glaucoma juvenil”, complementa.

A oftalmologista destaca que o glaucoma não tem cura, mas tem controle. Por isso, a importância do rígido cumprimento do tratamento. Na maioria dos casos, o uso de colírios que visam proteger a saúde do nervo óptico pode evitar o avanço da doença. Em outros, é necessária a intervenção cirúrgica. A médica acrescenta que a cirurgia tem durabilidade de, em média, dez anos. Mas o resultado depende da cicatrização de cada paciente.

“A cirurgia mais realizada é a trabeculectomia, conhecida como TREC, em que o cirurgião confecciona um tipo de abertura interna no olho do paciente, com o objetivo de colaborar no escoamento interno do líquido que preenche o olho. No entanto, essa cirurgia tem o único objetivo de reduzir a pressão intraocular e evitar a progressão da doença, não sendo possível recuperar a visão ou o campo visual já danificado”, esclarece.