Cefaleia atinge mais de 30 milhões de brasileiros, principalmente as mulheres

Neurologista credenciado à Amil em Curitiba explica que é possível controlar a dor de cabeça e alerta para os riscos da automedicação

Dor de cabeça. Palavra usada para denominar preocupações do dia a dia, mas também um mal que atinge milhares de pessoas em todo o mundo. No Brasil, estima-se que cerca de 30 milhões de indivíduos sofram de cefaleia, principalmente as mulheres. Em levantamento da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), 76% do público feminino relatou ter dor de cabeça, pelo menos, uma vez ao mês, frente a 57% do masculino. O neurologista Hudson Fameli, credenciado à Amil em Curitiba, explica que a predominância da cefaleia entre as mulheres pode estar relacionada a flutuações hormonais causadas por ciclos menstruais e menopausa, embora fatores externos, como ansiedade, estresse intenso, privação de sono e jejum, também influenciem.

De acordo com a Classificação Internacional de Cefaleias, existem mais de cem tipos delas, sendo a mais comum de todas a enxaqueca – que atinge com frequência o público feminino. Em pesquisa da Organização Mundial da Saúde (Global Burden of Desease Survey 2010), a doença foi apontada como a terceira mais prevalente no mundo e a sétima maior causa específica de incapacidade. Fameli acrescenta que uma enxaqueca pode durar de quatro a 72 horas – período em que a realização de atividades, até mesmo aquelas de rotina, pode ser diretamente afetada.

Para aqueles que sofrem de dor de cabeça, o neurologista indica investir em cuidados com a saúde e o tratamento preventivo. “Ter uma vida saudável, com prática de atividades físicas e boa qualidade de sono, é o primeiro passo para evitar que a cefaleia se instale. Medicações e intervenções também podem ser receitadas por um neurologista para os casos mais frequentes e que apresentam um padrão de dor diferente do usual”, sinaliza.

O médico explica que, em geral, as cefaleias são casuais, sem gravidade e dispensam exames complementares, mas faz um alerta sobre o risco da automedicação – que, em excesso, pode agravar o problema. “As pessoas podem usar analgésicos sempre que prescrito por um médico. No entanto, se o consumo passa a ser regular – mais de duas vezes por semana –, forma-se um ciclo vicioso: quanto maior for o uso de remédios, mais frequentes serão as dores de cabeça. Isso é o que chamamos, medicamente, de cefaleia por abuso de analgésicos, devendo ser avaliada e tratada adequadamente por um neurologista”, esclarece.

Membro titular da Academia Brasileira de Neurologia, Fameli aponta que o correto acompanhamento clínico, com assistência multiprofissional especializada, pode controlar as dores e resolver o problema. Mas, para alguns casos mais refratários, pode ser indicada cirurgia. Em quadros ainda mais extremos, a dor pode estar relacionada a patologias intracranianas graves, como um tumor ou um acidente vascular encefálico hemorrágico. Alterações visuais e sensitivas, como formigamento em partes do corpo e fraqueza muscular, são exemplos de sintomas associados. Nessas situações, é necessário dirigir-se a um pronto-socorro imediatamente. Algumas doenças neurológicas também podem causar dores de cabeça mais fortes, como meningites, cânceres, acidentes vasculares encefálicos e encefalites. Mas vale lembrar que esses casos representam uma minoria dos diagnósticos.