Cirurgia bariátrica: como saber a hora certa para uma intervenção cirúrgica?

A cirurgia bariátrica ou gastroplastia, popularmente conhecida como redução de estômago, é aquela realizada por pacientes obesos com o objetivo de alcançarem um emagrecimento significativo. Em geral, cerca de 40% do peso é eliminado aproximadamente um ano e meio após a intervenção. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, o Brasil é considerado hoje o segundo maior realizador de cirurgia bariátrica do mundo, atrás somente dos Estados Unidos. No entanto, o tema requer atenção, pois a operação não é recomendada para todos os casos de obesidade. É o que afirma o cirurgião bariátrico Paulo Nassif, especialista do Total Care – centro de referência para o tratamento de doenças crônicas da Amil.

Paulo Nassif explica que a indicação cirúrgica é baseada em três questões: grau de obesidade, presença de enfermidades associadas e tempo de evolução da doença – com tentativas de tratamentos anteriores de, pelo menos, dois anos. Além disso, conforme determinação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), todo paciente candidato à cirurgia bariátrica deve ser avaliado por uma equipe multiprofissional, formada por endocrinologista, cardiologista, pneumologista, cirurgião, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, psiquiatra e profissionais de outras especialidades, se necessário. Isso porque a obesidade é uma doença complexa, que envolve complicações em várias áreas da saúde.

Em geral, a cirurgia leva cerca de uma hora e o paciente fica em recuperação por algum tempo, em virtude da anestesia. Após o período, é direcionado ao quarto, onde é orientado e acompanhado por fisioterapeuta, para que inicie exercícios respiratórios e motores. A alta hospitalar geralmente acontece de dois a três dias após a cirurgia e o paciente já pode – e deve – fazer caminhadas. Exercícios mais pesados são liberados após 60 dias da operação, orienta Paulo Nassif.

No entanto, o médico alerta que, assim como qualquer outra cirurgia de grande porte, a bariátrica não está isenta de riscos, embora os índices sejam pequenos. “Alguns problemas que podem ocorrer são o desenvolvimento de fístulas digestivas, obstrução intestinal, embolia pulmonar, trombose venosa profunda e complicações nutricionais. Mas a obesidade em si, muitas vezes, proporciona um risco maior do que a própria cirurgia – que, se feita com infraestrutura hospitalar adequada, equipe experiente e correto preparo do paciente, tem seus riscos reduzidos de forma significativa”, acrescenta.

Logo após a cirurgia, é preciso obedecer a uma dieta alimentar inicialmente líquida, orientada por um nutricionista. Após essa fase, doces, alimentos muito calóricos, massas e frituras devem ser evitados, para que o processo de ganho de peso não volte a acontecer. O cirurgião explica que a operação tem resultados positivos para a maioria das pessoas, mas requer uma participação ativa do paciente, melhorando seus hábitos de vida. “O acompanhamento pós-operatório é de fundamental importância, pois a obesidade é uma doença crônica e complexa, que exige atenção contínua. Por meio da cirurgia, o paciente perde o excesso do peso, controla as doenças causadas por ele e ganha uma nova oportunidade de vida saudável. No entanto, essa nova vida exige um acompanhamento médico permanente, dieta alimentar equilibrada e a prática de exercícios físicos regulares”, alerta Nassif.