Verão requer atenção redobrada para doenças transmitidas por mosquitos

No verão, a combinação de altas temperaturas com chuvas recorrentes favorece a proliferação de mosquitos, como o Aedes aegypti, que transmite algumas das principais doenças virais detectadas durante a estação, como a dengue, a febre chikungunya e a zika. No Paraná, 294 municípios já são considerados infestados, segundo aponta a Secretaria de Estado da Saúde (SESA). Embora os órgãos governamentais implementem, todos os anos, políticas públicas de combate ao mosquito, a população também pode contribuir de forma decisiva para prevenir a sua proliferação. É o que aponta a infectologista Denise Semchechen, do Hospital Vitória – instituição que compõe a rede da Amil em Curitiba.

A médica alerta que as ações de prevenção mais efetivas continuam sendo a eliminação de água parada e os cuidados com reservatórios para evitar o acúmulo de chuva. Outra medida que vem sendo recomendada é o uso de repelentes no corpo. “É importante esclarecer que o complexo B não tem eficácia comprovada para afastar o mosquito”, informa.

Mas, apesar de o Aedes aegypti despontar como o principal causador dessas doenças, novas descobertas apontam para outras formas de contágio. Recentemente, foi comprovada a transmissão do vírus zika da mãe para o bebê, gerando casos de alterações na formação fetal. A médica destaca que ainda não se sabe exatamente o que vai ocorrer com os recém-nascidos detectados com microcefalia, mas alerta para os riscos de problemas no desenvolvimento motor e da fala e, em casos mais graves, convulsões e alterações no desenvolvimento intelectual.

Quanto aos sintomas, as diferenças são pequenas. “Em todas essas doenças, a febre, o mal-estar e a dor no corpo podem ocorrer. Mas, no caso da dengue, é mais comum haver dor de cabeça e atrás dos olhos, ou até mesmo hemorragias, em estágios mais graves. Já os sinais de chikungunya incluem dor articular muito intensa. O zika vírus, por sua vez, gera indícios mais brandos, como manchas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos”, explica a infectologista, acrescentando que o diagnóstico da doença deve ser confirmado por exames de sangue.

A especialista aponta que o tratamento é baseado no uso de antitérmicos e analgésicos para alívio dos sintomas. “Na maioria dos casos, as doenças evoluem de forma branda e não deixam sequelas, mas há quadros mais graves que podem demandar internação para hidratação. O maior risco, porém, é quando ocorre a dengue hemorrágica, que pode até levar ao óbito”, alerta Semchechen.