Diabetes, uma doença silenciosa

A cada ano, 200 novos casos de diabetes tipo 1 são diagnosticados em crianças e adolescentes na Região Sul

Curitiba/PR (agosto de 2015) - De acordo com dados da Federação Internacional de Diabetes (IDF), mais de 400 milhões de pessoas têm a doença, sendo que aproximadamente 10% são portadoras do tipo 1, a forma mais grave, que atinge principalmente crianças e adolescentes. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, já são cerca de 14 milhões de diabéticos, sendo que 500 novos casos surgem a cada dia.

O Instituto da Criança com Diabetes (ICD) calcula que, na Região Sul do país, cerca de 9 mil crianças e adolescentes sofram de diabetes tipo 1 – o que equivale a dois indivíduos a cada mil dessas faixas etárias. Também segundo o ICD, 200 novos casos são diagnosticados nesse público, a cada ano.

Maurício Maicá de Oliveira, endocrinologista do Programa Viva Cuidado Total, da Amil, explica que o diabetes tipo 1 é uma doença ocasionada por predisposição genética associada a fatores ambientais, como a reação do sistema imunológico a alguns tipos de vírus, a baixa exposição ao sol (o que leva à deficiência de vitamina D) e o não aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida.

Metade das pessoas não sabe que a têm porque essa é uma doença silenciosa, ou seja, sem sintomas aparentes. Maicá alerta, no entanto, que, entre as crianças, alguns sinais de alteração de comportamento podem ser indícios, como voltar a urinar na cama ou acordar com frequência no decorrer da madrugada para beber água. “Ao perceber essas ocorrências, é fundamental consultar um endocrinologista de imediato”, acrescenta o médico.

Uma vez diagnosticado, o diabetes não tem cura e suas complicações podem levar a danos irreversíveis em diversos órgãos, como coração, vasos sanguíneos, olhos e rins – a doença é uma das maiores causas de cegueira e de insuficiência nos rins em todo o mundo. Todavia, se o portador tiver um tratamento equilibrado, com monitoramento constante dos níveis de glicose e acompanhamento médico, ele pode evitar consequências, como infarto do miocárdio, derrame cerebral, amputações e cegueira.

O endocrinologista acrescenta que o diabetes não controlado pode interferir no crescimento das crianças. Se a doença demora a ser diagnosticada, há risco de a criança entrar em coma e até morrer em consequência do nível elevado de glicose no sangue por um período prolongado.

Na fase da adolescência, diversos estudos demonstram maior dificuldade no controle do diabetes tipo 1, que pode ser explicada por alterações hormonais e/ou comportamentais. “Muitas vezes, o apoio psicológico se faz necessário”, finaliza Maurício Maicá.