Conheça as doenças que podem causar aumento de peso

Segundo pesquisa, o sobrepeso é uma realidade que aflige mais da metade da população de Curitiba

Curitiba/PR (maio de 2015) – Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, no mês de abril, revelou que o índice de brasileiros que estão acima do peso chegou a 52,5% em 2013 e segue em crescimento no país. Esse cenário é similar ao de Curitiba, onde mais da metade dos moradores (52,6%) está com alguns quilinhos a mais. O índice coloca a cidade entre as dez capitais brasileiras com maior sobrepeso entre os habitantes. Mas, apesar de em mais de 95% dos casos o excesso mostrado na balança estar relacionado a uma dieta desequilibrada, alguns sinais podem indicar a existência de doenças endocrinológicas. É o que explica Michelle Garcia Polesel, endocrinologista credenciada à Amil em Curitiba.

A médica explica que, na grande maioria dos casos, o excesso de peso é causado por maus hábitos alimentares, e é agravado quando está associado ao sedentarismo e à genética. "São poucos os casos em que a pessoa segue uma dieta equilibrada e engorda exclusivamente por uma disfunção endocrinológica. Mas, na maioria dos distúrbios, o ganho de peso ocorre por conta do aumento do apetite ou de algum edema associado à doença".

Entre as doenças que realmente podem acarretar aumento de peso, a especialista destaca a Síndrome de Cushing, que é causada pelo excesso do hormônio cortisol no organismo e provoca retenção de líquido, apetite elevado e maior acúmulo de gordura no tronco e na região abdominal. A obesidade monogênica também é outro distúrbio que deve ganhar atenção, pois, apesar de raro, é mais grave e não possui tratamento. Ele acontece quando algumas mutações genéticas causam alteração na sinalização de hormônios do apetite no sistema nervoso central. Outra doença, mais conhecida e menos agressiva, é o hipotireoidismo, que se caracteriza pelo funcionamento insuficiente da glândula tireoide – órgão do sistema endócrino que produz hormônios influenciadores do metabolismo.

Então, muita atenção aos sintomas. "Normalmente, a obesidade grave com início na infância aponta para a possibilidade de obesidade monogênica ou Síndrome de Cushing – que também pode se manifestar na idade adulta, em alguns casos sendo necessário tratamento cirúrgico. Estrias grossas de coloração roxa, diabetes, hipertensão e osteoporose associam-se à síndrome. Já o hipotireoidismo geralmente se apresenta com sintomas mais subjetivos, como cansaço, constipação, pele seca e maior sensibilidade ao frio, sendo tratado por meio de reposição hormonal", detalha Michelle.

No entanto, a endocrinologista ressalta que a obesidade causada por maus hábitos alimentares pode ocasionar enfermidades muito comuns, tão ou mais graves que aquelas que geram aumento de peso involuntário. "A obesidade é uma doença que pode influenciar o aparecimento de outras, como hipertensão, diabetes, esteatose hepática (gordura no fígado), distúrbios do sono e respiratórios, artrose, gota, alterações no colesterol e até mesmo cânceres. Por isso, manter uma dieta balanceada e realizar atividades físicas regulares ainda é a melhor receita para evitar os quilinhos extras".