Fumo passivo aumenta risco de infarto e doenças pulmonares

O pneumologista Camilo Faoro, credenciado da Amil em Curitiba, alerta que a inalação da fumaça do cigarro, ainda que involuntária, pode causar impactos na saúde em todas as fases da vida

Curitiba/PR (maio de 2015) – No calendário da Saúde, 31 de maio é marcado como o Dia Mundial sem Tabaco, uma data de atenção para todos os curitibanos. A cidade apresenta o terceiro maior percentual de fumantes entre as capitais brasileiras (13,7% da população), figurando atrás apenas de São Paulo (14,9%) e do líder do ranking, Porto Alegre (16,5%). Os dados são de pesquisa telefônica realizada pelo Ministério da Saúde, em 2013. Mas quem pensa que o assunto só diz respeito aos tabagistas se engana. Em todo o mundo, aproximadamente 2 bilhões de pessoas são vítimas do fumo passivo, aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS), estando expostas a uma série de riscos inerentes à inalação da fumaça do cigarro, ainda que involuntária.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) revela que fumantes passivos têm um risco 30% maior de contrair câncer de pulmão e 24% maior de infarto do coração do que os não-fumantes. Em bebês, os impactos podem ser fatais: além da maior probabilidade de desenvolverem doenças pulmonares, o risco de morrerem subitamente, sem uma causa aparente (síndrome da morte súbita infantil), é cinco vezes maior.

Isso acontece porque a inalação da fumaça que sai da ponta do cigarro contém, em média, três vezes mais nicotina, três vezes mais monóxido de carbono e até 50 vezes mais substâncias cancerígenas do que a fumaça que o fumante traga. Por isso, o fumo passivo é um risco desde a gestação. É o que explica Camilo Faoro, pneumologista credenciado da Amil em Curitiba: “A inalação de substâncias tóxicas e cancerígenas durante a gravidez, como a nicotina e o monóxido de carbono, pode acarretar problemas no desenvolvimento do feto, alteração em seus batimentos cardíacos e dificuldade na liberação de oxigênio e nutrientes.”

Faoro explica ainda que as gestantes expostas ao fumo passivo também estão sujeitas a uma série de riscos, como descolamento de placenta, hemorragias uterinas e aborto espontâneo. Já o bebê recém-nascido pode apresentar redução de sua função pulmonar, sendo mais suscetível a crises de falta de ar e a infecções respiratórias. “Entre as crianças em contato com as substâncias tóxicas do tabaco, como o organismo ainda se encontra em desenvolvimento, há grandes chances de contraírem problemas respiratórios, como bronquite, pneumonia e rinite. Além disso, a exposição precoce pode levar, quando adultas, ao desenvolvimento de doenças relacionadas ao tabagismo”, aponta o pneumologista.

Essas doenças vão desde reações alérgicas, como rinite, tosse e conjuntivite, até - nos casos de exposição por longos períodos - infarto agudo do miocárdio, câncer de pulmão, enfisema pulmonar e bronquite crônica. O pneumologista alerta: não há meios de minimizar os efeitos da exposição às substâncias tóxicas do tabaco. O que pode ser feito é evitar esse contato.

“A melhor conduta é tentar estimular a pessoa fumante com a qual se convive a abandonar o hábito. Se não houver a concordância da mesma, ao menos solicitar que se evite fumar em locais fechados, optando por ambientes externos. Também é importante refletir que a criança que tem contato regular com fumantes, principalmente em sua família, pode ser influenciada a se tornar um adulto fumante”, aponta Faoro.